Tendências de design em 2023
A grande revolução no design não será visual ou funcional, mas sobre como fazemos o que fazemos. Qual o limite da nossa criatividade?
O final de 2022 foi marcado pelo surgimento de inúmeras alternativas para criação de imagens com inteligência artificial, extrapolando os limites das ferramentas criativas.
A democratização de softwares como DALL·E 2, Midjourney e Stable Diffusion permite que mais pessoas possam criar composições inovadoras em questão de minutos.
Mas tanta velocidade e eficiência carregam um peso: estamos cada vez mais sedentos por tipografias, ilustrações, combinação de cores e produtos que sejam visualmente provocantes. Queremos mais, sempre mais.
E é justamente em torno das questões de como definir um limite para o criativo e de como o futuro pode se espelhar no passado que teremos as grandes tendências de design em 2023.
Confira os movimentos que identificamos como as grandes apostas para os meses que virão e não se esqueça de baixar nosso ebook gratuito de Tendências de Design em 2023 – ele é lindíssimo e você pode imprimir ou baixar pra ler no celular mesmo.
Fontes Serifadas
Times New Roman, Garamond, Jenson. Essas célebres fontes têm algo em comum: a serifa. Os pequenos traços que ornamentam as extremidades das letras surgiram com as maiúsculas romanas.
Como os romanos não documentaram o seu processo de escrita, a origem da serifa é controversa. A teoria mais aceita diz que o ornamento surgiu de forma acidental, a partir das ferramentas da escrita usadas na época: o pincel e o cálamo de ponta quadrada.
Isso quer dizer que o uso da serifa estava completamente alheio a preocupações de legibilidade.
Hoje é de senso comum que as fontes serifadas devem ser usadas em caixas de texto corrido e materiais impressos porque em teoria elas facilitam a leitura, criando linhas definidas que os olhos seguem com naturalidade.
Mas há quem discorde: existem evidências de que os leitores nem vêem as serifas, que acabam sendo filtradas pelo cérebro e passam despercebidas. Ou melhor, passavam.
A tendência para 2023 é fazer com que todos notem o maravilhoso mundo das serifas, enquanto adornam composições minimalistas.
Nostalgia vibrante
A tendência retrô vai resgatar a as ilustrações vibrantes e a tipografia volumosa e groovy dos anos 70, de quando a era disco contagiou as artes visuais. A graça é ter uma pegada imperfeita, arredondada e até ondulada, como se os desenhos e tipos estivessem dançando.
A década foi marcada por inovações - ou melhor, trangressões - no design gráfico. São composições ousadas e chamativas, criadas com cores vibrantes. A cereja do bolo neste tendência é usar e abusar de um contorno preto bem demarcado nas ilustras e fontes.
Tons rosados e avermelhados
"Uma tonalidade não convencional para um tempo não convencional", assim foi anunciada a escolha do Viva Magenta como a Cor do Ano 2023 da Pantone. O vermelho com um quê de rosa nos incentiva a libertar o nosso lado rebelde e simboliza um futuro mais inclusivo.
Outros líderes de mercado também apostaram na mesma vibração intensa. A companhia Benjamin Moore escolheu o Raspberry Blush para tirar nossas casas da zona de conforto. Já Dunn-Edwards investiu em um tom mais leve, porém dramático e nostálgico: o Terra Rosa.
Designers não precisam ter dúvida: tons vermelhos e rosados vão movimentar o próximo ano.
Padrões paramétricos
Quando falamos em design paramétrico, pensamos logo em projetos arquitetônicos extravagantes.
Mas esses padrões estarão cada vez mais presentes no design de interiores e de produtos.
O termo se refere a um método que utiliza algoritmos e softwares de modelagem 3D para executar criações mais complexas - sobretudo irregulares e curvilíneas.
A tendência brinca com as perspectivas e proporções, criando variações em volume e profundidade. O resultado é realmente único, com uma pegada futurista.
Viagem psicodélica
Ilustrações psicodélicas vão nos levar para cenários impossíveis.
O estilo de design remonta a posters do final dos anos 60, principalmente difundidos por artistas como Rick Griffin, Bonnie MacLean e Wes Wilson. Em um primeiro momento, a composição parece caótica, mas cada elemento é pensado para nos fazer viajar na imaginação dos artistas. A única regra é não seguir regras, quebrando as barreiras da consciência.
Em 2023, essa viagem alucinógena é feita com menos lettering e mais cartoons. E as cores neon combinam perfeitamente com a rebeldia dessa realidade ficcional.